Gênesis Israel Silva

Qual o Nome da Esposa de Noé? | Noema da Descendência de Caim

Qual o Nome da Esposa de Noé? | Noema da Descendência de Caim

Qual é o nome da esposa de Noé? Será que é Noema/Noemia, da descendência de Caim? Em uma geração decaída moralmente, um único homem brilha. Noé é justo e perfeito na sua geração.

O Gênesis não dá muitos detalhes sobre Noé e sua família, mas nos informa que ele é pai de três filhos, Sem, Cão e Jafé. Porém nada é falado em relação à sua esposa, a mulher que acompanha este homem ilustre.

“Estas são as gerações de Noé. Noé era homem justo e perfeito em suas gerações; Noé andava com Deus. E gerou Noé três filhos: Sem, Cão e Jafé.” Gênesis 6:9-10

Quando Noé é informado do iminente desastre que iria terminar com aquela geração violenta e sanguinária, ele também fica sabendo que sua família seria poupada.

“Mas contigo estabelecerei a minha aliança; e entrarás na arca, tu e os teus filhos, tua mulher e as mulheres de teus filhos contigo.”
Gênesis 6:18

A esposa de Noé

A sintaxe deste verso é muito curioso, ao invés de ordenar “tu e tua esposa, teus filhos e as esposas deles”, Deus inverte a ordem de entrada na arca.

Rashi entendeu que relações conjugais eram proibidas na arca; homens e mulheres foram separados durante o dilúvio.

Também é estranho o fato de que Noé é instruído a se separar de sua esposa na arca, e nada é relatado sobre esta mulher no Gênesis.

Esta lacuna é preenchida pela Tradição Oral, e o nome dela nos traz insights muito importantes para a compreensão desta passagem.

Qual é o nome da esposa de Noe?

A esposa de Noé é identificada como sendo Na’amah, “Noema”, filha de Lameque e Zilá, descendentes de Caim.

Não quero aqui fazer uma afirmação falsa, e dizer que esta identificação da esposa de Noé seria algo com cem por cento de certeza, lógico que não é.

A Tradição Oral não está presente no texto bíblico, mas é constituída de histórias que foram passadas oralmente de pai pra filho, e chegou até nós, nos dias de hoje.

Claro que alguém pode discordar, entretanto, quanto mais mergulhamos na história de Noé, e na descendência de Caim, mais evidente fica que a esposa de Noé só poderia ser Noema, citada no livro de Gênesis.

“E Zilá também deu à luz a Tubalcaim, mestre de toda a obra de cobre e ferro; e a irmã de Tubalcaim foi Noema.” Gênesis 4:22

Os planos da redenção

Vemos que Caim não foi prontamente “destruído” por Deus, após ter matado Abel. Mas porque Deus agiu desta forma com Caim, inclusive pondo uma marca nele, para que ninguém o matasse?

Se Deus extirpasse a vida de Caim do mundo, não estaria Ele agindo dentro dos limites da justiça? Não merecia Caim ser também morto, pois havia cometido um pecado horrível, ceifando a vida de seu próprio irmão, por motivo fútil?

Pois bem, a história de Noema nos dá um exemplo muito lindo de como Deus é um Deus de compaixão. Ele é justiça, mas muito mais do que isso, Deus é misericórdia viva, que atua muito mais no plano da redenção.

Noema, filha de Lameque e Zilá

O rabino Rashi faz a conexão entre a filha nascida de Lameque e Zilá, e a esposa desconhecida de Noé. Ironicamente, o pai de Noé também se chamava Lameque. Mas é evidente que se trata de pessoas diferentes.

Como podemos ver no capítulo 4 de Gênesis, as suas genealogias não são apenas distintas, mas também muito diferentes.

E para podermos entender totalmente a significância da união entre Noé e Noema, nós precisamos voltar um pouquinho na história do princípio da humanidade.

Além de Caim e Sete, Adão teve outro filho, Abel, cuja morte ronda toda narrativa; ela é o momento crucial, o episódio maior, o trauma que precisa ser curado. Um substituto para Abel precisa ser encontrado.

E é neste contexto que a história da família de Na’amah (Noema) se inicia, como uma sequência ao trágico assassinato de Abel.

“E conheceu Caim a sua mulher, e ela concebeu, e deu à luz a Enoque; e ele edificou uma cidade, e chamou o nome da cidade conforme o nome de seu filho Enoque;” Gênesis 4:17

Caim continua a sua vida, ele se casa e tem um filho chamado Enoque. E constrói uma cidade, cujo o nome é o mesmo de seu filho.

Ironicamente, ou mesmo por desafio, Caim, que foi condenado a vagar pela terra como forma de castigo por ter matado seu irmão, Abel , é o primeiro a tentar construir um centro urbano.

O nome que ele escolhe para seu filho, e para a cidade que constrói, Enoque, tem a conotação de “estabelecer”.

Enoque, por sua vez, tem um descendente chamado Lameque, que inicia a sua própria família, de uma forma muito diferente; ele se casa com duas esposas, Adah (Ada) e Tzillah (Zilá).

“E a Enoque nasceu Irade, e Irade gerou a Meujael, e Meujael gerou a Metusael e Metusael gerou a Lameque.E tomou Lameque para si duas mulheres; o nome de uma era Ada, e o nome da outra, Zilá.” Gênesis 4:18-19

Como afirma Rashi, este era o comportamento da geração do dilúvio. A atitude de Lameque representa a corrupção da moral em que a sociedade humana deveria estar edificada.

Lameque toma duas esposas, dissecando a moral da unidade familiar, para refletir o seu orgulho pessoal e o seu egocentrismo.

O próprio Jesus confirmou esta forma com que a sociedade contemporânea do dilúvio se corrompia na sua moral:

“Porquanto, assim como, nos dias anteriores ao dilúvio, comiam, bebiam, casavam e davam-se em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca” Mateus 24:38

A sombra de Abel

E Adah concebe e tem filhos. O primeiro é chamado Yaval (Jabal), um nome que parece a sombra de Hevel (Abel), e que revela algo complexo na descendência de Caim.

Caim matou Abel, e seus filhos dão nomes aos seus descendentes, repetidamente, buscando semelhanças com o “irmão” que faltava, o irmão que seu patriarca havia matado.

“E Ada deu à luz a Jabal; este foi o pai dos que habitam em tendas e têm gado.”Gênesis 4:20

E o seu nome Yaval (Jabal) não é apenas uma lembrança de Hevel (Abel), mas Jabal adota a vocação de Abel, ele é um homem de tendas e se torna um pastor.

O Segundo filho de Adah é chamado Yuval (Jubal), nome notavelmente similar ao do seu irmão mais velho, e que novamente faz referência a Abel “Hevel”.

“E o nome do seu irmão era Jubal; este foi o pai de todos os que tocam harpa e órgão.” Gênesis 4:21

E ainda, se os nomes dos filhos de Lameque fazem referência a Abel, o modus operandi dele é muito similar ao de Caim:

“E disse Lameque a suas mulheres Ada e Zilá: Ouvi a minha voz; vós, mulheres de Lameque, escutai as minhas palavras;

porque eu matei um homem por me ferir, e um jovem por me pisar. Porque sete vezes Caim será castigado; mas Lameque setenta vezes sete.” Gênesis 4:23-24

Lameque não é apenas um descendente de Caim em termos de genealogia ou genética, o seu comportamento indica que ele é um seguidor do comportamento e da psicologia de Caim.

E Zilá também concebe e tem um filho, Tuval-kayin (Tubalcaim). Ele trabalhava com metais. E é aqui que somos informados sobre sua irmã, a nossa personagem Na’amah, Noema.

“E Zilá também deu à luz a Tubalcaim, mestre de toda a obra de cobre e ferro; e a irmã de Tubalcaim foi Noema.” Gênesis 4:22

Noema não é apenas acidentalmente citada como irmã de Tubalcaim. Ela é o último elo nesta corrente genealógica que se iniciou em Caim, e chegou até Lameque.

E é ela mesma, Noema quem irá trazer uma grande lição, quando da combinação das duas linhagens: uma descendente de Caim, – uma “irmã” de Abel – se casa com Noé, um descendente de Sete – sendo ele mesmo um substituto de Abel.

“E tornou Adão a conhecer a sua mulher; e ela deu à luz um filho, e chamou o seu nome Sete; porque, disse ela, Deus me deu outro filho em lugar de Abel; porquanto Caim o matou.” Gênesis 4:25

Noé preserva a linhagem de Sete, o elevado filho de Adão e Eva. Pra melhor ou pra pior, a família de Caim também é preservada por meio de Noema.

Mesmo após o dilúvio que restaura o pureza e o equilíbrio do mundo, Noema carrega consigo a descendência de Caim no mundo. Noema, esposa de Noé, sobrevive, e a linhagem de Caim continua a existir.

A redenção de Caim

E porque isso deveria ser assim? A linhagem de Caim mereceria ser preservada? Seria a linhagem de Caim redimida? A resposta crucial a estas questões é que Noema, esposa de Noé, entrou com as outras mulheres, suas noras na arca.

E como Rashi comenta, esta separação entre homens e mulheres indicava a abstinência que seria praticada naquele barco.

Se a esposa de Noé é mesmo Noema, a conclusão da história é brilhante, e o contraste é poderoso! Esta mulher é filha de Zilá, uma das duas esposas de Lameque, que as havia tomado para satisfazer o seu prazer hedonista.

Aqui, ela representa, assim que as águas começam a cobrir a terra, a liderança das mulheres que foram escolhidas para trazer essa reconciliação histórica, o renascimento da criação – por meio da observância da abstinência e da santidade na arca.

Conforme a narrativa do dilúvio se desenvolve, muitos detalhes da história começam a tomar diferentes cores, quando vistas da perspectiva da vida de Noema:

Todas as criaturas estavam na arca em pares, o que parece ser uma advertência contra a polêmica bigamia de Lameque, e contra a corrupção e egocentrismo de toda uma geração.

E ainda, a ordem do dia, a forma como a Criação seria preservada e redimida, não era por meio da sexualidade, mas pela abstinência.

A unidade familiar na arca era reforçada com todos os seus membros trabalhando em um propósito comum, com ajuda mútua, como almas gêmeas.

Eles ajudarão Noé em sua missão de cuidar de todas as espécies na arca – Ser o Pastor de Toda a Criação.

É somente quando os descendentes de Caim e de Sete se unem para assumir a vocação que foi deixada vaga pela morte de Abel (um pastor), é que a humanidade pôde ser redimida.

É aqui que fica o legado de Noema. Uma filha que foi o produto de um casamento bígamo, nascida em meio ao hedonismo e ao egoísmo, herdeira da violência passada pelas gerações de seu patriarca Caim.

Ainda assim ela superou toda essa bagagem pecaminosa e escolheu ser uma mulher justa, uma companheira virtuosa para a descendência de Sete.

A teshuvah

Sem dúvida, Noema nos ajuda a compreender a eficácia do que os Judeus chamam de Teshuvah (arrependimento). Não haveria homens da estatura de Abraão se não houvesse arrependimento.

Sem a possibilidade da Teshuvah, a nossa existência não seria possível.

As nossas falhas são sempre atribuídas a outros fatores, que não a nós mesmos – a nossa bagagem social, o nosso ambiente em que fomos criados, a nossa genética, a nossa descendência, os nossos pais, a sociedade e até a igreja.

Mas com Noema nós aprendemos que apesar da violenta e opressiva natureza da sociedade que a cercava, apesar da extrema e difícil história familiar que ela estava inserida, nós somos capazes de fazer escolhas para nossas próprias vidas.

Deus nos deu a capacidade de nos elevarmos acima de todas essas circunstâncias, e Nele, nos ligarmos ao divino sopro que Ele envolveu a cada um de nós.

O sopro é o Seu Espírito. O Espírito Santo pode e quer operar transformações de vidas, sempre.

“Enquanto se diz: Hoje, se ouvirdes a sua voz, Não endureçais os vossos corações” Hebreus 3:15

Sobre o autor | Website

Formado em Hebraico Bíblico, Geografia Bíblica, Novo Testamento, e Estudos do Apocalipse; é Especialista em Estudos da Bíblia, certificado pelo Institute of Biblical Studies da Universidade Hebraica de Jerusalém.

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