Parábolas Israel Silva

A Oração do Pai Nosso Evangélico na Bíblia | Estudo

A Oração do Pai Nosso Evangélico na Bíblia | Estudo

Na oração do pai nosso evangélico, Jesus nos ensinou que não é o tamanho da oração que a faz ser atendida, nem a posição do corpo, mas sim o propósito do coração de quem ora. A oração é um meio de Deus fazer com que a nossa vontade possa se tornar semelhante a Dele.

A oração é uma atitude de verdadeira confiança e obediência aos planos e propósitos de Deus, e não um monte de palavras vazias.

E como os discípulos perceberam que Jesus não aprovava a hipócrita forma com que os fariseus oravam, pedem que o Mestre então os ensine a orar.

“E aconteceu que, estando ele a orar num certo lugar, quando acabou, lhe disse um dos seus discípulos: Senhor, ensina-nos a orar, como também João ensinou aos seus discípulos.” Lucas 11:1

A oração do Pai Nosso é um modelo de oração e não significa que devemos usar as mesmas palavras. Muitas pessoas reduzem esta oração em uma citação vazia, justamente o que Jesus disse para não fazermos.

A oração do pai nosso evangélico

Na oração do pai nosso evangélico, Jesus usou um modelo que seus discípulos conheciam, chamada em hebraico קדיש Kaddish, recitada geralmente nas sinagogas.

A Kaddish continha as palavras “Exaltado e santificado seja Teu grandioso nome[…] que venha o Teu Reino.”

“Portanto, vós orareis assim: Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome; Venha o teu reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu” Mateus 6:9-10

“O pão nosso de cada dia nos dá hoje; E perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores;” Mateus 6:11-12

“E não nos induzas à tentação; mas livra-nos do mal; porque teu é o reino, e o poder, e a glória, para sempre. Amém.” Mateus 6:13

Pai nosso que estás no céu

Pai nosso, todos pertencemos a uma mesma família, somos filhos de um único Pai amoroso e Criador. Somos todos irmãos em Cristo e devemos nos importar com a vida e com o bem-estar de toda humanidade.

Entre seus filhos, Deus não faz distinção de raça, cor, gênero, religião ou posição social. Ele é Pai do negro e do branco, do homem e da mulher, do religioso e do ateu. Ele é sem dúvida o nosso Pai celestial.

Santificado seja o teu nome

Santificar o nome de Deus era o princípio mais valioso da ética judaica. Em todo antigo oriente, o nome de uma pessoa era mais do que um simples nome.

O nome representava a essência do caráter e da personalidade de um homem. Conhecê-lo pelo nome, equivalia a saber do seu caráter e da sua conduta.

Conheço-te por teu nome, também achaste graça aos meus olhos. Êxodo 33:12

Assim quando se santifica o nome do Senhor, estamos a santificar o próprio Deus.

A voz passiva em que se encontra o texto “santificado seja o Teu nome”, indica uma convocação a toda a humanidade a reconhecer e honrar a santidade do nosso Pai celeste.

Venha a nós o teu reino

Mesmo sabendo que Deus tem todo o poder no céu e na terra, o seu reino não é forçado, precisamos aceitar que Deus reine em nosso Ser e em nossas vidas.

O Reino de Deus habita em nós, somos o Reino precioso do senhor, comprados com o preço do seu sangue e da sua própria vida.

“Nem dirão: Ei-lo aqui, ou: Ei-lo ali; porque eis que o reino de Deus está entre vós.” Lucas 17:21

Sabemos também que o Reino de Deus não está ainda totalmente estabelecido na terra, mas nós o aguardamos pelo dia da sua vinda.

Jesus nos ensina que devemos ter a ardente vontade e esperança de que o seu Reino se manisfeste, trazendo justiça e paz eternamente.

Seja feita a tua vontade

A oração é dirigida a Deus para que Ele nos ajude a compreender a sua vontade, e para que Ele modifique o nosso entendimento, fazendo com que nós venhamos a obedecer-lhe.

A oração é um meio pelo qual Deus transforma a nossa vontade, fazendo-a semelhante à Dele.

O pão nosso de cada dia

O pão nosso de cada dia lembra do maná que Deus enviava a cada dia para sustentar o seu povo no deserto. Todas as necessidades materiais são representadas pelo pão de cada dia.

É um ensinamento da necessidade de confiarmos na providência de Deus, estando sempre na sua dependência. Se o Pai alimenta até os passarinhos, quanto mais nós que somos seus filhos queridos.

“Olhai para as aves do céu, que nem semeiam, nem segam, nem ajuntam em celeiros; e vosso Pai celestial as alimenta. Não tendes vós muito mais valor do que elas? Mateus 6:26

Perdoa as nossas dívidas

O perdão é a chave que abre a porta da graça e da misericórdia. Se quisermos receber o perdão de Deus, temos que também perdoar uns aos outros. Somos membros de uma mesma família e devemos preservar a nossa comunhão.

É preciso superar os eventuais desentendimentos e cultivar o amor entre os irmãos.

“Se, porém, não perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai vos não perdoará as vossas ofensas.” Mateus 6:15

Livrai-nos do mal

Aqui é um pedido para que Deus nos ajude a vencermos a nós mesmos. Jesus fala da necessidade da reflexão interior, de forma que venhamos a ter consciência das nossas fraquezas, pois Deus não tenta a ninguém.

Somos tentados pelas nossas próprias cobiças. O mais difícil no curso da nossa existencialidade é negarmos aos nossos desejos carnais.

“Mas cada um é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência.” Tiago 1:14

A doxologia final

Jesus termina a oração do pai nosso com a doxologia no final, semelhante às palavras do rei Davi, em 1 Crônicas 29:11

“porque teu é o reino, e o poder, e a glória, para sempre. Amém.” Mateus 6:13

Arte e beleza fazem desta uma oração eterna, que Jesus tirou do seu coração. A oração do pai nosso evangélico brotou da alma do Mestre, uma lição moral incomparável que traz sublimidade e simplicidade.

A oração no tempo de Jesus

Os termos mais comuns para designar a oração era o verbo התפלל hitpallel e o substantivo תְּפִלָּה tefillah. A mesma raiz destas palavras, em árabe, significa fazer brechas, talhar. Algo que lembra um costume antigo e arcaico:

Para tornar a oração mais poderosa e eficaz, faziam-se cortes sobre o corpo, como fizeram os sacerdotes de Baal durante o sacrifício no Carmelo (1Rs 18:28).

E em hebraico, os termos התפלל hitpallel e תְּפִלָּה tefillah assumiram a significação geral de orar e oração.

E o que parece é que a forma como os gentios da época oravam (com sacrifícios, com muitas repetições de palavras decoradas, preces repetitivas), como os gregos faziam invocando seus deuses, havia influenciado muito a oração judaica.

A oração tomava assim, uma conotação de auto-penitência, castigo auto-imposto, em público, de longa duração, com bajulações e barganhas com Deus, numa tentativa de impressioná-lo com o sofrimento do corpo, que mais lembravam as talhas que os profetas de baal se impuseram.

Mas Jesus alertou que estes que assim oravam, estavam já totalmente pagos, pois a única retribuição que receberiam era a glória dos homens. Aqueles que oram com tais propósitos já receberam o seu galardão.

Sobre o autor | Website

Formado em Hebraico Bíblico, Geografia Bíblica, Novo Testamento, e Estudos do Apocalipse; é Especialista em Estudos da Bíblia, certificado pelo Institute of Biblical Studies da Universidade Hebraica de Jerusalém.

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1 Comentário

  1. joao bosco disse:

    achei muito convincente a forma como foi colocado esse estudo,muito bom.