Gênesis Israel Silva

E Viu Deus que Era Bom | E Viu Deus que Era Muito Bom | Estudo Bíblico

E Viu Deus que Era Bom | E Viu Deus que Era Muito Bom | Estudo Bíblico

Deus olha a obra de suas mãos, em vários pontos do processo da criação, e o Gênesis declara: “E viu Deus que era bom” Gênesis 1:10.

Entretanto, esta frase que é completamente omitida no segundo dia da criação, é mencionada duas vezes no terceiro dia, e está notavelmente ausente no grande evento da criação do homem.

E no fim dos seis dias da criação do mundo físico, o Gênesis afirma:

“E viu Deus tudo quanto tinha feito, e eis que era muito bom” Gênesis 1:31

Cada palavra escrita na bíblia foi divinamente escolhida para transmitir uma ideia, um ensinamento, uma lição essencial de vida. “E viu Deus que era bom”, tem em si mensagens muito significantes para nós.

Como sempre, a palavra de Deus abre um leque de boas possibilidades.

Mas qual seria a mensagem que o Gênesis quer nos mostrar nesta passagem? Que idéias estariam presentes neste pequeno texto, mas de dimensões espirituais enormes?

Quando nós humanos produzimos alguma coisa, frequentemente temos que parar, voltar e revisar todo o processo para sabermos se o que estamos produzindo se adéqua à nossa intenção.

Mas para Deus, que tudo sabe e que conhece o final de tudo antes mesmo de começar, revisar é algo totalmente desnecessário.

O Deus perfeito não comete erros, tudo é feito conforme a sua vontade. Como Ele poderia então primeiro criar, e só depois ver e se certificar que sua criação era boa?

E há ainda o fato de que esse reconhecimento (E viu Deus que era bom) não é usado consistentemente no texto. Será que essas variações querem nos transmitir algo importante?

O segundo dia da criação

“E chamou Deus à expansão Céus, e foi a tarde e a manhã, o dia segundo.” Gênesis 1:8

Então, voltando a nossa atenção às variações que aparecem nesta passagem, como por exemplo a omissão, no segundo dia da criação de “E viu Deus que era bom”, e sua repetição por duas vezes no terceiro dia.

Percebemos que Deus nos convida a um diálogo com Ele, por meio da sua palavra.

O rabino Rashi explica que a obra criadora do segundo dia não estava acabada até o fim daquele dia. E algo que está inacabado, afirma Rashi, não pode ser chamado de “bom”.

O trabalho do segundo dia foi, na verdade, terminado no terceiro, onde uma nova fase da criação é iniciada e completada neste mesmo dia.

E o Gênesis repete a frase “E viu Deus que era bom”, por duas vezes, significando que foi o término de duas fases da obra criadora, a do dia segundo e a fase do terceiro. Mas esta explicação de Rashi levanta um sério problema.

Tendo em consideração que estamos falando de um Deus que tem todo poder, que pode fazer tudo que lhe
aprouver, como então poderia o trabalho do segundo dia não estar terminado dentro do seu limite de tempo, havendo inclusive, necessidade de ser continuado no dia posterior?

Certamente Deus deseja nos ensinar que o tempo de se terminar uma tarefa não é tão claro, definido ou uniforme.

Certas “obras”, ações e tarefas, na experiência humana, podem estar completas em um nível, mas ainda assim podem permanecer incompletas em outro nível. Deus termina o segundo dia da criação com o trabalho deste dia em pleno fluxo.

Se de um lado a obra está pronta, pois a “separação entre as águas que estavam debaixo da expansão e as águas que estavam sobre a expansão” Gênesis 1:7, está concluída;

Por outro lado, há a necessidade de se continuar esta tarefa, ajuntando as “águas debaixo dos céus num lugar; e apareça a porção seca” Gênesis 1:9, o que só acontece no terceiro dia.

Deixando que o trabalho do segundo dia, seja terminado somente no terceiro dia, Deus está nos lembrando que há tarefas, que devido a sua complexidade, vão nos confrontar no que somos em nós mesmos.

Há coisas que fazemos que podem parecer estar terminadas, se vistas de um ângulo específico, mas que podem ainda assim necessitar de uma continuidade. E pode se ter ainda muito trabalho a fazer.

Chegar à realização humana, ao crescimento, à maturidade espiritual, à compreensão da vida e sua relação com a vontade divina é algo complexo que demanda humildade e um coração aberto, para estar constantemente aprendendo de Deus.

O casamento, a criação dos filhos, o cuidado com a família, todos esses seriam bons exemplos, que exigem de nós o zelo e o amor contínuos.

Está em suas mãos

Muito embora a frase “E viu Deus que era bom”, seja mencionada no final do sexto dia da criação, ela não é afirmada em relação a criação do homem.

Alguns comentaristas explicam este fenômeno textual como a reflexão da responsabilidade do homem, como parceiro da sua própria criação.

Diferente de todas as outras criaturas, o homem não pode ser considerado bom, simplesmente por ter sido criado por Deus.

Se o homem é ou não um ser de bons valores, isso vai depender de suas próprias escolhas e ações, que influenciarão a qualidade de sua própria vida.

Como Rambam declarou: “O Criador, quanto a criação do homem, não determina que ele será bom, nem que será mau”.

A omissão do Gênesis “E viu Deus que era bom”, em relação ao homem, é essencialmente uma desafio à humanidade.

Nós somos desafiados a completar esta história, para determinarmos se ao final seremos considerados bons ou não. O que dirá o Criador de nós, no final de nossas vidas? Será que poderemos ouvir “E viu Deus que era bom”?

Isto é algo que está em suas mãos!

“O homem bom tira boas coisas do bom tesouro do seu coração, e o homem mau do mau tesouro tira coisas más.” Mateus 12:35

Unindo o céu e a terra

Há uma abordagem diferente para a omissão da frase “E viu Deus que era bom”, no segundo dia da criação e em associação com a criação do homem. No segundo dia, Deus criou o firmamento, separando dois reinos, o céu e a terra.

Concernente a essa separação, a omissão da frase acima citada, pode estar ligada a um entendimento de valor do próprio ato em si. A separação do céu e da terra, poderia não ser efetivamente “vista” como algo totalmente “bom”.

Deus quer que céu e terra estejam conectados. Ele deseja que o espiritual e o físico interajam um com o outro. A separação desses dois domínios se constituem em uma espécie de desafio para que o ser humano volte a uni-los.

Mas como isso se daria?

Os professores da Bíblia explicam que o homem é a única criatura forjado “com duas origens, do reino superior e do reino inferior”.

Somos feitos do pó da terra, para dentro do qual Deus assoprou o “espírito da vida”. Céu e terra estão presentes na essência de nossas almas.

Nós somos parte do reino animal, e como tal, compartilhamos com este reino as nossas necessidades básicas. Mas ao mesmo tempo, nós somos as únicas criaturas que aspiram por poesia, e espiritualidade.

O homem foi feito para unir céu e terra dentro de si mesmo. Nós somos convidados a trazer essa união por meio de nossas ações, pela santificação de todos os dias de nossa vida.

Nós somos desafiados, também, a trazer o céu à terra, através de nossas orações e pela imersão, compreensão e estudo profundo da palavra de Deus.

Sobre o autor | Website

Formado em Hebraico Bíblico, Geografia Bíblica, Novo Testamento, e Estudos do Apocalipse; é Especialista em Estudos da Bíblia, certificado pelo Institute of Biblical Studies da Universidade Hebraica de Jerusalém.

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