Parábolas Israel Silva

A Figueira Seca – A Parábola da Figueira Estéril | Estudo

A Figueira Seca – A Parábola da Figueira Estéril | Estudo

O parábola da figueira estéril que se tornou a figueira seca, aconteceu após a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém. Em Marcos 11:12-24 vemos que Jesus voltou para Betânia.

Na segunda-feira de manhã, o Mestre retornaria com seus discípulos a Jerusalém.

Jesus vinha de um dia de intenso gasto de energias, a sua entrada em Jerusalém havia causado muita repercussão. Depois do cansaço e das emoções do dia anterior, no caminho de volta a cidade santa, o Mestre teve fome.

E à beira do caminho, a uma certa distância, uma figueira coberta de folhagens, de forma precoce, pois era primavera, chamava a atenção de Jesus.

E o Mestre se aproxima desta figueira para ver se acharia algum figo e se alimentar, mas encontra somente folhas.

“E, no dia seguinte, quando saíram de Betânia, teve fome.”
Marcos 11:12

E, vendo de longe uma figueira que tinha folhas, foi ver se nela acharia alguma coisa; e, chegando a ela, não achou senão folhas, porque não era tempo de figos.” Marcos 11:13

Naturalmente, a figueira apresenta seus frutos bem antes de se cobrir de folhas. E em Jerusalém, os primeiros figos, também chamados de bêberas, só amadurecem após o mês de junho.

E os figos de verão não amadurecem antes de agosto. Por isso Marcos afirma que não era tempo de colher figos.

Porém a folhagem exuberante que a figueira seca apresentava, poderia ser um sinal de que a árvore estava em terra muito fértil, e de alguma forma pudesse ter já alguns frutos maduros.

Mas era pura aparência, a figueira estéril não possuía fruto algum.

A figueira seca tinha apenas aparência

A figueira seca tinha toda a aparência de uma árvore frutífera. Suas folhagens atraíam os desavisados, praticando assim um tipo de “farisaísmo vegetal”. Tinha aparência de ter, mas não tinha. Parecia ser, mas não era.

E enganava, iludia, passava por algo que não era, que não possuía. O exterior estava lindo, cheia de folhas verdinhas, enquanto que as outras árvores, devido a estação do ano, estavam todas peladas, sem folhas alguma.

E Jesus agindo como se a figueira estéril fosse um ser dotado de inteligência e vontade próprias, profere contra ela uma grave sentença:

“E Jesus, falando, disse à figueira: Nunca mais coma alguém fruto de ti. E os seus discípulos ouviram isto.”
Marcos 11:14

Interessante que o Mestre, contra as outras figueiras, que estavam sem folhas e sem frutos, de nada reclama.

As outras figueiras estavam sem frutos, porém apresentavam sua imagem verdadeira, sem querer se passar por algo que não eram. Estavam sem folhagens; quem as vissem saberiam que não encontrariam figos nelas.

Afinal, não era tempo de figos, não havia nada de errado em não apresentar frutos, pois não estava na época certa.

A parábola da figueira estéril

E no dia seguinte, na terça-feira os discípulos notam que a figueira estéril tinha se tornado em figueira seca, desde as suas raízes.

“E eles, passando pela manhã, viram que a figueira se tinha secado desde as raízes.”
Marcos 11:20

“E Pedro, lembrando-se, disse-lhe: Mestre, eis que a figueira, que tu amaldiçoaste, se secou.”
Marcos 11:21

E esta maldição contra a figueira seca, sem dúvida tem uma simbologia semelhante a de uma parábola (a parábola da figueira estéril).

Muitos religiosos Israelitas, apesar de terem testemunhado tantos favores divinos através dos séculos, tantos milagres e livramentos, insistiam em apresentar sob sua cultura, uma aparência religiosa e superficial, mas infelizmente, desprovida de frutos de arrependimento.

E Jesus, o supremo agricultor anuncia que usaria o machado para cortá-los. Não adiantava a aparência de santidade, como muitos fariseus religiosos de Israel faziam.

Eles queriam ser vistos pelos homens como melhores, mais justos, mais adoradores, que oravam mais, que jejuavam mais, que se sacrificavam mais.

Até suas vestes eram “melhores”, só andavam em companhia dos “mais santos”. Viviam em busca da aparência, do louvor dos homens; suas folhagens estavam “verdinhas”, muito exuberantes.

Mas neles nunca se encontravam os frutos do amor, do perdão e da misericórdia. Só acreditavam em sacrifícios e punições.

O que no final, terminava tudo no “EU”. “Eu” jejuei; “Eu” orei; “Eu” sacrifiquei; “Eu” sou santo, então “Eu mereço”.

Por não reconhecerem seus pecados, o fruto do arrependimento, estavam sendo rejeitados por Deus. Porque as obras tem que ser feitas em amor.

O único “Eu”, que deve prevalecer em nós, é o de Jesus, que disse:  “Eu sou o caminho a verdade e a vida“.

Fruto certo no tempo certo

Ninguém pode enganar a Deus. O homem é quem engana a si mesmo. Deus conhece o coração humano, Ele sabe das suas intenções. Não se pode viver de aparências. Temos que “ser” em essência.

Para tudo há um tempo determinado. O erro da figueira seca, não foi estar desprovida de frutos, pois não era tempo de dar frutos naquele momento. Mas o problema foi querer ser mais, ou parecer ser mais do que as outras figueiras, sem ser.

A parábola da figueira estéril nos dá um importantíssimo ensinamento. Somos todos filhos do nosso Pai celeste, somos iguais. Não há ninguém “melhor do que ninguém”.

Se nos submetermos em amor às águas do Espírito Santo, em igualdade, em irmandade, Ele o nosso agricultor, cuidará de nós, para que no tempo certo, apresentemos nossos frutos em amor.

No tempo certo, de tempos em tempos, frutificai.

“Mas o fruto do Espírito é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança.”
Gálatas 5:22

Sobre o autor | Website

Formado em Hebraico Bíblico, Geografia Bíblica, Novo Testamento, e Estudos do Apocalipse; é Especialista em Estudos da Bíblia, certificado pelo Institute of Biblical Studies da Universidade Hebraica de Jerusalém.

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